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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Entrevista a Daúto Faquirá


Uma entrevista do técnico Daúto Faquirá sobre o futebol português e os momentos mais importantes da carreira. O técnico orientou o Sintrense, Odivelas, Barreirense, Estoril-Praia, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal e Olhanense. Um percurso que permite abordar os temas com sabedoria e conhecimento, como as diferenças entre os clubes grandes e os restantes, além da falta de públicos nos estádios portugueses. 

Na segunda parte da entrevista pedimos ao técnico para recordar os melhores momentos da carreira. Daúto Faquirá destacou a primeira vitória do Olhanense no Estádio do Dragão e a presença nas competições europeias pelo Vitória de Setúbal. 

De que forma o título europeu conquistado em França pode beneficiar o futebol português?
Nos últimos tempos a política desportiva dos clubes mudou com recurso aos escalões de formação, nomeadamente o Benfica e o Sporting. O FC Porto aposta mais em jogadores sul-americanos, mas obrigatoriamente vai ter de mudar a estratégia. As academias deram retorno financeiro. A vitória da selecção passa pelo aproveitamento do investimento na formação e das infra-estruturas.

O campeonato vai ser mais competitivo?
A diferença das receitas tem aumentado o fosso entre as equipas. Os grandes vão ficar mais fortes e as restantes equipas jogam num campeonato à parte. É uma situação incontornável.

O Sp.Braga tem condições para lutar pelo título?
O clube conseguiu crescer e aproximar-se dos principais clubes. No entanto, tem sempre de vender as principais estrelas, pelo que, dificilmente chega ao título.

Como se resolve o problema da assistência nos estádios portugueses?
As assistências nos estádios são um retrato da nossa sociedade, dos tempos em que vivemos e das condições financeiras dos clubes. O nível das equipas não é suficiente para atrair mais espectadores. Em Portugal não existe capacidade para vender o espectáculo por causa do clubismo.

Concorda com o actual formato desportivo?
O número de equipas é excessivo. Devia haver mais jogos entre os principais clubes para aumentar a competitividade.

Quais são os desafios que os clubes algarvios enfrentam no futebol profissional?
As equipas do Algarve estão longe dos centros de decisão e do poder económico.

Por que razão há mais clubes no Norte nas divisões profissionais?
Os clubes do Norte têm mais poder económico.

Como analisa a queda dos clubes madeirenses e a ascensão de outros?
Houve uma alteração na relação entre o continente e a Madeira que afectou a ajuda do governo regional aos principais clubes. O Paços de Ferreira tem uma política desportiva estável. O Arouca cresceu devido ao investimento feito por particulares.

A capacidade financeira é o factor que desequilibra a balança?
Sem dúvida.

Quais são os projectos para o futuro?
Queria ficar a trabalhar em Portugal, mas existe possibilidade de ir para o estrangeiro.

Qual foi o momento mais positivo na carreira?
Conseguir a promoção à primeira divisão com o Estrela da Amadora.

Qual o jogo que ainda não esqueceu?
No desafio em que lutava pela manutenção com o Estrela da Amadora e vencemos a União de Leiria por 4-2, além da vitória com o Olhanense no Estádio do Dragão porque fomos a primeira equipa a vencer naquele reduto.

Quem marcou o golo que continua na sua memória?
O golo do Anselmo no Dragão após os 90 minutos nessa vitória.

A competição que mais gostou de jogar?
A presença na Liga Europa com o Vitória de Setúbal em 2008-2009.

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